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Split Payment na Reforma Tributária: Entenda o Pagamento Fracionado

A proposta de regulamentação da Reforma Tributária, apresentada por meio do PLP 68/2024, trouxe uma série de novidades que impactam diretamente o dia a dia dos empresários e contadores. Entre essas mudanças, uma das mais comentadas é o mecanismo chamado split payment, ou pagamento fracionado.

Mas afinal, o que é esse tal de split payment e como ele afeta as empresas brasileiras? Neste artigo, vamos explicar de forma simples e objetiva.


O que é o Split Payment?

O split payment é um modelo de recolhimento de tributos no qual o valor devido ao governo é separado automaticamente no momento do pagamento de uma transação comercial. Ou seja, em vez de o fornecedor receber o valor cheio da nota fiscal e depois recolher os impostos, uma parte desse valor é retida e transferida diretamente ao fisco.

Na prática, isso significa que o comprador paga o fornecedor e o governo ao mesmo tempo, mas de forma separada.


Como vai funcionar?

Segundo o Art. 31 da LC 214/2025, a ideia é utilizar a estrutura do sistema financeiro (como bancos e carteiras digitais) para fazer essa divisão automática dos pagamentos.

Por exemplo:

  • Uma empresa presta um serviço de R$ 10.000, com R$ 2.000 de impostos (CBS e IBS);

  • O cliente faz o pagamento total de R$ 10.000;

  • O sistema fraciona esse valor automaticamente:

    • R$ 8.000 para o prestador;

    • R$ 2.000 diretamente para os cofres públicos.

Essa operação deve ocorrer de forma eletrônica, com base nos dados da nota fiscal eletrônica (NFe), minimizando riscos de sonegação e inadimplência.


Objetivos do Pagamento Fracionado

O split payment tem como principais finalidades:

  • Reduzir a evasão fiscal, evitando que o tributo “se perca” no caminho entre a emissão da nota e o recolhimento;

  • Aumentar a eficiência na arrecadação tributária;

  • Simplificar o cumprimento das obrigações acessórias por parte das empresas compradoras, que se tornam co-responsáveis pelo recolhimento;

  • Melhorar o controle pelo fisco, que passa a ter informações mais completas e em tempo real.


Impactos para o Empresário

Apesar de parecer vantajoso para o fisco, o mecanismo levanta algumas preocupações no meio empresarial:

  • Impacto no fluxo de caixa: Como o valor do imposto não entra mais na conta da empresa, o caixa precisa estar bem planejado.

  • Necessidade de adaptação nos sistemas: ERPs, emissores de nota e ferramentas financeiras precisarão se ajustar à nova realidade.

  • Risco de complexidade adicional: Em um país já conhecido pela burocracia fiscal, há receio de que a medida crie mais um ponto de fricção no processo de venda.

Por outro lado, para o comprador, o split payment traz mais segurança quanto à regularidade fiscal da operação.


Conclusão

O split payment é uma das grandes apostas da Reforma Tributária para combater a sonegação e modernizar a arrecadação de tributos. No entanto, como toda mudança, exige planejamento, adaptação e acompanhamento profissional.

Empresários e contadores devem ficar atentos à regulamentação, pois o sucesso da implementação dependerá de como essa divisão automática será operacionalizada no cotidiano das empresas.

Para se preparar, conte com um contador que está por dentro da legislação e pronto para te orientar em cada etapa.


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